martes, 7 de julio de 2015

EL FÚTBOL Y LAS LETRAS, COMO FRUTO DE LA IMAGINACIÓN INDIVIDUAL


Me anime a “robar” este texto de mi amiga y compañera de facultad, la periodista brasileña Fernanda Pompeu, que escribe la columna “Mente Abierta” en el espacio “Inspírese” de Yahoo. La creatividad propia, sin imitaciones, del futbolista y del escritor, es asunto que Fernanda considera, hoy, fundamental, para ejercer las dos actividades. “Respetar lo que somos es el buen camino para el golazo en las redes y en las imaginaciones”, dice.  

Futebol de letra
Fernanda Pompeu
Gosto de futebol bem jogado. Futebol simples que resulta em bola na rede. Para a bola atingir a meta é preciso apresentar técnica, arte, cabeça fria e coração quente. Igual quando leio ou escrevo um texto. Ele também corre em direção ao gol - esse átimo de explosão funda e ruidosa. Não é fácil concluir. Exige muitos anteriores: o treino, o passe, o drible, o insight.
Nunca se sabe exatamente como a partida terminará. Ganhar, perder, empatar. Salvo nos jogos mais importantes, no qual o empate está fora de questão. Bem melhor quando inexiste a possibilidade dotudo igual, do elas por elas. Se o empate acontece na página, a sensação é fraca, sem sal. O recado pode ter sido dado, mas não deixou nenhuma marca.
Jogo memorável é aquele que planta a imagem de um lance na nossa cachola. Um romance de 400 páginas será memorável, se o leitor guardar uma frase, um diálogo, uma descrição. Ou até mesmo - seja no jogo, seja na página - se apropriar de uma impressão. Essência da partida ou do livro gravada na nossa memorioteca
O excitante que lembro da Copa de 1970 não são exatamente os gols, mas o Edifício Moema, em Niterói, tremendo. Depois da final, a multidão em êxtase na praia de Icaraí. Parecida memória tenho da leitura do Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Não recordo da trama nem dos diálogos. Ficou foi a Ema Bovary se entregando aos sonhos de viver outras vidas, por meio da leitura de romances.
Também recordo de um Brasil x Argentina, sei lá de que ano, em que pensei: Isso é um jogaço, isso é um balé no gramado. Igual é minha recordação da poesia de Carlos Drummond de Andrade, mesmo quando não lembro de seus grandes poemas, tenho na pele a gaiatice dos versos: Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução.
Futebol é bola na rede, texto é flechada no coração. Para os dois é preciso domínio técnico, treino, compromisso e alma. Mas não só isso. É necessário também esquecer para ousar lances e textos novos. Fiz a minha parte quando me desfiz da sombra dos mestres. Foi o momento em que decidi escrever do meu jeito, com meus defeitos!
No gramado deve rolar algo semelhante. Não se trata de tentar ser um segundo Garrincha, Pelé, Maradona e outros monstros. O jogador tem que conduzir nos pés sua própria história. O escritor, o leitor idem. Respeitar o que somos é o bom caminho para o golaço nas redes e nas imaginações.
Imagem: Régine Ferrandis

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