miércoles, 9 de marzo de 2016

NEYMAR, MESSI Y SUAREZ, TAMBIÉN SON BUENOS

Suárez, Neymar y Messi, del Barcelona FC.

Por RUY CASTRO, de la Folha de Sao Paulo

Com divertido espanto, leio, vejo e ouço por toda parte que Neymar, Messi e Suárez, do Barcelona, tornaram-se o maior ataque da história do futebol mundial. Muita gente pensa assim. Sei bem que é maravilhoso ser contemporâneo de gênios, e imagine ter vivido na mesma época que Freud, Einstein e Groucho Marx –mas até estes, em vida, tiveram quem os contestasse. Já Neymar, Messi e Suárez, a cada 7x0 que aplicam num pereba do Campeonato Espanhol, dão mais um passo rumo à canonização.

Pelè, Pepe y Coutinho, del Santos FC.
Talvez por desmemória, desinformação ou ambas, ninguém cita alguns ataques louvados pelos cronistas do passado e que talvez se comparassem a Neymar, Messi e Suárez. O trio do Barcelona será maior, por exemplo, que o do Santos de tantos títulos internacionais –Coutinho, Pelé e Pepe? Ou que o do "Expresso da Vitória", o Vasco, que dominou o futebol brasileiro em fins dos anos 40 –Ademir, Jair e Chico? Ou o da seleção húngara de 1954 –Kocsis, Hidegkuti e Puskàs? Ou o do próprio Real Madrid de 1960 –Di Stéfano, Puskàs e Gento?

Kopa, Di Stéfano y Puskàs, del Real Madrid.
E o que dizer dos ataques com meias ofensivos e que, por isso, eram escalados com cinco? Pode ter havido igual ao do Brasil de 1945? Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir –em que Ademir, para poder jogar, precisou ir para a ponta porque o centroavante só podia ser Heleno. E o do Brasil de 1958? Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo –sorry, periferia. E o do Brasil de 1970? Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino –com um "reserva" chamado Paulo Cesar, pronto a entrar em qualquer posição.

Você dirá: Eles eram bons naquele tempo, hoje não jogariam tanto. Na minha opinião, jogariam mais. No tempo deles, não havia cartão amarelo ou vermelho. Nenhum time que os enfrentasse hoje terminaria o jogo com 11.

Ah, sim, Neymar, Messi e Suarez. Também são bons.